Senhoras e senhores,
Autoridades, Acadêmicos desta Casa, Ilustres convidados, Queridos amigos.
Recebo hoje, com profundo sentimento de honra e com elevado senso de responsabilidade, a missão de assumir a presidência da Academia Nacional de Economia.
Nenhuma instituição verdadeiramente duradoura é obra de um indivíduo. As instituições atravessam o tempo porque são construções coletivas — erguidas sobre ideias, sobre o trabalho silencioso de gerações e sobre a memória daqueles que nos antecederam.
Por isso, minhas primeiras palavras são de gratidão.
Agradeço sinceramente aos acadêmicos desta Casa pela confiança depositada em meu nome. Cada voto recebido representa não apenas um gesto de apoio pessoal, mas sobretudo um compromisso com a continuidade de uma instituição que ocupa lugar singular na história intelectual do Brasil.
Não deixa de ser profundamente simbólico que esta cerimônia ocorra nas dependências da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Foi neste mesmo ambiente institucional que, em 1943, realizou-se o Congresso Nacional de Economia — encontro que reuniu algumas das mais expressivas inteligências econômicas do país e que deu origem, no ano seguinte, à fundação da Academia Nacional de Economia.
Estar hoje aqui é, portanto, mais do que uma coincidência de espaço. É um reencontro com as origens desta instituição. É como se, neste momento, a história se fechasse em um ciclo — conectando aqueles que idealizaram esta Academia com aqueles que hoje têm a responsabilidade de dar continuidade à sua trajetória.
Este ambiente nos lembra que as instituições são feitas de permanência — e que cada geração recebe um legado com o dever de preservá-lo e transmiti-lo.
A Academia Nacional de Economia nasceu em um momento particularmente significativo da história mundial e nacional. Na década de 1940, o mundo atravessava profundas transformações. As estruturas econômicas internacionais estavam sendo redesenhadas, novas instituições surgiam e os países buscavam compreender os caminhos do desenvolvimento.
O Brasil também vivia um período de intensos debates sobre o seu futuro econômico.
Há, entretanto, um momento precursor que merece ser lembrado nesta trajetória. Em 1943, nas dependências da Associação Comercial do Rio de Janeiro, realizou-se o Congresso Nacional de Economia. Ali se reuniram algumas das mais expressivas inteligências econômicas do país. Debatiamse os rumos do Brasil, as políticas monetárias, a industrialização, a organização administrativa e o papel do Estado na economia nacional.
Mais do que um evento acadêmico, aquele Congresso representou um verdadeiro momento de convergência intelectual. Economistas, juristas, professores e homens públicos compreenderam que o Brasil precisava de algo mais permanente do que encontros ocasionais.
Era necessário criar uma instituição capaz de preservar o pensamento econômico nacional, estimular o debate qualificado e manter viva a reflexão sobre os caminhos do país. Foi desse espírito — amadurecido naquele encontro de 1943 — que surgiria, no ano seguinte, em 1944, sob a liderança de Reynaldo de Souza Gonçalves, a Academia Nacional de Economia.
Desde então, esta instituição passou a reunir em suas cátedras algumas das mais relevantes personalidades do pensamento econômico brasileiro.
A história da Academia Nacional de Economia é inseparável da própria história da inteligência econômica brasileira.
Presidir esta instituição significa assumir a responsabilidade de guardar essa memória — e também de projetá-la para o futuro.
Permitam-me também recordar, neste momento, a figura do patrono da cátedra que tenho a honra de ocupar: José Antônio Lisboa. Figura relevante na formação das primeiras estruturas da administração econômica brasileira, sua atuação na organização das finanças públicas representa um momento fundamental na consolidação das instituições econômicas do país. Recordar seu nome é reconhecer que o pensamento econômico brasileiro tem raízes profundas.
Cada cátedra desta Academia representa um elo em uma longa cadeia de reflexão, responsabilidade e serviço ao país. Somos apenas continuadores dessa história.
Vivemos hoje um tempo de grandes transformações econômicas, tecnológicas e institucionais. O Brasil enfrenta desafios complexos que exigem reflexão qualificada, responsabilidade intelectual e compromisso com o interesse público.
Nesse contexto, instituições como a Academia Nacional de Economia tornam-se ainda mais necessárias.
A ANE não é — e nunca deve ser — um espaço de dogmas. Ela é, antes de tudo, uma casa de ideias. Uma casa onde diferentes correntes de pensamento podem dialogar com respeito, onde o rigor intelectual prevalece sobre a polarização e onde o compromisso com o país se coloca acima de qualquer circunstância.
Ao assumir esta presidência, reafirmo meu compromisso com três princípios fundamentais.
Primeiro: preservar e fortalecer a memória institucional da Academia.
Segundo: estimular a produção intelectual e o debate qualificado sobre os desafios econômicos do país.
Terceiro: ampliar a presença institucional da ANE no debate nacional.
Esses objetivos não pertencem a uma presidência isoladamente. Eles dependem da participação ativa de todos os acadêmicos desta Casa.
Permitam-me concluir com uma reflexão simples. As ideias verdadeiramente importantes não pertencem a uma geração específica. Elas atravessam o tempo, inspiram novas reflexões e ajudam a orientar as escolhas de cada época.
A missão desta Academia é justamente essa: preservar as ideias que merecem permanecer e estimular aquelas que ajudarão a construir o futuro.
A Academia Nacional de Economia é, acima de tudo, um espaço de permanência do pensamento — um lugar onde o Brasil pode refletir sobre si mesmo com serenidade, profundidade e responsabilidade histórica. Porque, no fim, as ideias são sempre maiores do que aqueles que momentaneamente as conduzem. Os homens passam. As gerações se sucedem. Mas as instituições permanecem quando são guiadas pela memória, pelo conhecimento e pelo compromisso com o país.
Que a Academia Nacional de Economia continue sendo, por muitas décadas, um espaço de reflexão, cultura e responsabilidade intelectual a serviço do Brasil. Muito obrigado.
Fernando de Castro Martins Cátedra 083 Presidente Nacional Academia Nacional de Economia – ANE